Para quem ama no escuro.

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domingo, 1 de março de 2015

Somdamor


9

               Para Maria José Fernández



Invadimos com trópico as matérias da ordem
e com caos reiteramos a harmonia
para voltarmos nuas à carícia do lobo.

Sobre a noite o vão foi ritmo sonoro
verde dança, corpo livre, livre som.

Os tambores da queda e as ruínas
têm luz de aurora nova em Somdamor.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Esculpimos Desertos


8

            Para Pedro Teixeira da Mota


Esculpimos desertos e homens como bosques,
com tacto nos cabelos e lama nas entranhas,
simulamos os musgos em pregas junto ao sexo,
nascemos humidades de luz nos arvoredos
sem grade que leve a nossa fonte clara.

Entornamos, então, o mundo para sermos
fictícias feiticeiras ao Sul de Samaná,
com pele de sereia e lábios ainda tenros,
com fruta nova à busca de tempo por sugar.

Sobre o asfalto alguém quer redimir a caverna
nas noites embarcadas à chuva desde Harlem
e deixa então ruínas feitas carne
no Norte mais triste que nascera em Manhattan:
corpo de moedas, dor fronteira,
verbo do fenício, biqueira a latejar.

Abrimos janelas de areia e verbo claro,
rejeitamos embargos e criamos os prantos
da terra que vibra sombras de sonhar.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Na autoestrada de Nós até Utopia


6

          Para Kelly

Na auto-estrada de Nós até Utopia
não se movia o vento
e o mundo era apenas uma via
de passo vedado às meninas
que tentaram,
para logo regressar,
no cair da noite,
com dom de frutos,
ao palácio de terra e tecto em zinco,
aos reis de anel perdido e novela,
"Sempre a Vida  É Bela",
as princesas de nome sem raiz,
janela aberta, vertigem nova,
escorrega a um chão no que morrer.

A terra prometida de quem sofre,
o jardim de quem jardim não têm.