Para quem ama no escuro.

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quarta-feira, 11 de março de 2015

A sétima onda


19

          Para Samuel Pimenta


Ao som da avelaneira lateja a minha pele,
regressão vegetal ocupa ritmo e sombra.
Na dança da memória, sou luz a enraizar.

E a terra fecha sulcos
e a chuva abre fronteiras.

No útero salgado da onda passageira,
no retorno da vida,
há vozes minerais que dizem vento,
universos de flor a enfeitiçar.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Esculpimos Desertos


8

            Para Pedro Teixeira da Mota


Esculpimos desertos e homens como bosques,
com tacto nos cabelos e lama nas entranhas,
simulamos os musgos em pregas junto ao sexo,
nascemos humidades de luz nos arvoredos
sem grade que leve a nossa fonte clara.

Entornamos, então, o mundo para sermos
fictícias feiticeiras ao Sul de Samaná,
com pele de sereia e lábios ainda tenros,
com fruta nova à busca de tempo por sugar.

Sobre o asfalto alguém quer redimir a caverna
nas noites embarcadas à chuva desde Harlem
e deixa então ruínas feitas carne
no Norte mais triste que nascera em Manhattan:
corpo de moedas, dor fronteira,
verbo do fenício, biqueira a latejar.

Abrimos janelas de areia e verbo claro,
rejeitamos embargos e criamos os prantos
da terra que vibra sombras de sonhar.