Para quem ama no escuro.

Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Galega. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Galega. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de março de 2015

A onda sexta


17

          Para Xavier Ponte 

Em alva plena,  meu cervo,
desce-me à ria nascida.
Achega-me, meu remeiro, à costa nova
e, na ilha, namora-me com um sonho,
para que a tua carícia seja proa,
achegue mar.
Beijo em ti líquen de esperas:
acarinho o sorriso desta Terra,
um esteiro de histórias permaneço
e acompanho a confraria do retorno.
Em onda ao vento,
aguardo  mar.
Proclamo no teu corpo alma de esteiro,
praia longa aleitada no silêncio.
Do teu alento digo verso em sal,
e parto, sem partir, na hora alta,
retorno entornada em ave errante,
amiga sou, ribeira que abalavas
por ser mar.

domingo, 8 de março de 2015

Quinta Onda


16

           Para José Manuel Barbosa e Ro Palomera


O vento novo nasce no caminho,
vira nas coxas sentires,
incorpora, incorpóreo, corpo livre,
agita o espaço a inexistir.

Levo horizontes na bandeira,
força  memorial na criação.

Olhar de vento
faz sentir o pensamento
rito casual do círculo,
perímetro indirecto do vazio
no sorriso incolor  da insurreição.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A História da Torre



5

          Para Isabel Lorenzo, para Fernando Sangiovanni


Foi então quando correu a história da torre
e teorizaram sobre as verticalidades
para olhar alto e alumiar a noite com candeias
e vestir neônios com chapéu.
Inventaram leões no circo em Roma
e Áfricas na mesma Nova Iorque
com metalurgias em tristes destruições.

Meu namorado desceu da ilha aos tempos
e labora na terra de ninguém,
levou consigo o mato e o café por semear
e o abacate cortado na lembrança
da terra livre e da casa prometida.

No gueto sonha com a cana alta
enquanto tende o leito a rés-do-chão.